Século XX – o século da Química

Podemos encontrar várias definições da Química, mas todas elas terão o mesmo significado: “é a ciência que estuda a matéria, suas propriedades e suas transformações” a fim de sabermos onde e quando podemos utilizá-las para o nosso bem estar e, quando não é possível essa utilização, modificarmos sua estrutura e adaptá-la para a finalidade adequada. Através da Química podemos produzir meios de transporte (automóveis, caminhões, navios, aviões, foguetes,…), computadores, máquinas de lavar, sabonetes, detergentes, remédios, roupas e tantos outros benefícios que a evolução da Química nos trouxe. O século XX foi um período áureo da busca do conforto e do bem estar para o ser humano.

Os últimos cem anos foram, sem dúvida alguma, os de maior importância e crescimento para a Química. O ganho real de conhecimento nessa ciência foi muito superior a qualquer período anterior da história. A prova disso está nos rêmios Nobel conferidos desde 1901 até 2000. Vamos conferir alguns de seus ganhadores e suas realizações dentro dessa ciência muitas vezes caracterizada de malfeitora, outras de maravilhosa.

O século e a entrega dos Prêmios Nobel para a Química comeram juntos, em 1901. Seu primeiro ganhador foi van’t Hoff pelo seu trabalho com a cinética química, equilíbrio e pressão osmótica. Uma derivação desse trabalho deu a Arrhenius o prêmio em 1903 e em 1909 a Ostwald.

A Química Orgânica começava a caminhar e esse pioneirismo foi agraciado com o prêmio. Em 1902, Fisher desenvolveu metodologias para a classificação e síntese de carboidratos. Em 1905, Baeyer pelas contribuições para a síntese orgânica e o trabalho com corantes orgânicos. Em 1910, Wallach pelo estudo dos compostos cíclicos.

A descoberta de novos elementos também foi contemplada com o prêmio. Em 1904, Ramsay pela descoberta de vários gases nobres e, em 1906, Moissan pelo isolamento do flúor. Este último também foi o primeiro a utilizar um forno elétrico em um laboratório, o que proporcionou um avanço considerável na química experimental, graças às altas temperaturas que puderam ser alcançadas.

O grande sonho dos alquimistas, transmutar, isto é, transformar um elemento em outro, foi descoberto por Rutherford, que levou o prêmio Nobel em 1908. Em 1907, Buchner levou o prêmio por mostrar que a fermentação do álcool e de açúcares é um processo catalítico, resultado da ação de enzimas, ou seja, não haveria necessidade de células vivas, isso derrubava a teoria da Força Vital defendida por Pasteur. Era o nascimento da Bioquímica.

Tudo que sabemos sobre as ligações químicas foram descobertas neste século. Em 1954, Pauling recebeu o prêmio Nobel por seus trabalhos relativos à ligação química. Em 1966, Mulliken ganhou o prêmio pela teoria do orbital molecular.

Outra área bem agraciada pelo prêmio Nobel foi a da estrutura química, principalmente, das macromoléculas que, possibilitou o desenvolvimento, entre outras, da indústria farmacêutica. Em 1955 e 1980, Sanger ganhou pela determinação da estrutura da insulina e o seqüenciamento de nucleotídeos em aminoácidos, respectivamente. Em 1962, Perutz e Kendrew dividiram o prêmio pela descoberta da estrutura da hemoglobina. Em 1964, Hodgkin descobriu a estrutura da penicilina e da vitamina B12.

A síntese da amônia a partir de seus elementos deu a Haber o prêmio em 1918. Em 1931, Bosh e Bergius dividiram o prêmio pelo aperfeiçoamento da técnica descoberta por Haber e o desenvolvimento do método industrial de produção de amônia. A grande produção da amônia incrementou a indústria dos fertilizantes, explosivos e produtos de limpeza. Em 1943, Hevesy ganhou o prêmio pelo trabalho com marcadores radioativos utilizados na datação do carbono 14, essencial para a determinação da idade dos fósseis.

Em 1912, Grignard e Sabatier dividiram o prêmio por diferentes trabalhos. O primeiro, pela descoberta do “reagente de Grignard”, amplamente utilizado até hoje. O segundo criou métodos de hidrogenação de compostos orgânicos, que possibilitaram obter margarina a partir do óleo vegetal.

Em 1915, Willstatter levou o prêmio pela descoberta da semelhança estrutural entre a hemoglobina e a clorofila, e que o primeiro liga-se ao íon ferro e o segundo ao íon magnésio. Em 1937, Harworth ganhou pela síntese da vitamina C, o que permitiu sua produção industrial. Em 1947, Robinson levou o prêmio pelos seus estudos com a morfina.

A Química Aplicada, química estudada para a aplicação na resolução de problemas específicos, também foi contemplada com o prêmio Nobel. Em 1995, Molina, Rowland e Crutzen mostraram como os CFCs estão ligados a destruição da camada de ozônio da atmosfera. Hoje, todos sabem o que é e qual é a importância do ozônio, e vários países assinaram um tratado para eliminar a emissão de CFCs nos próximos anos.

Estas e outras descobertas, agraciadas com o prêmio Nobel ou não, tiveram grande importância no desenvolvimento da nossa sociedade e de tudo que nela se encontra e é utilizado ou descartado por ela. A Química ainda se encontra na puberdade e assim, como todo jovem, anseia por ganhar conhecimento, ser livre e poder estar inserido no mundo. Ainda há muito a ser descoberto e aperfeiçoado. O século XXI irá concerteza, trazer realizações ainda mais maravilhosas do que as dos últimos cem anos. Resta-nos esperar e conferir o que nos aguarda os próximos cem anos.

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