“TUDO SE TRANSFORMA … INCLUSIVE A QUÍMICA!”

Lavoisier

“Quem nunca ouviu a frase: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”? Ela é constantemente associada à Química e, é atribuída a um gênio da ciência que viveu há mais de duzentos anos, e que transformou a Química na ciência que conhecemos e utilizamos até os dias de hoje.”

 

TRANSFORMAÇÃO! Quando ouvimos ou pronunciamos esta palavra, imediatamente pensamos em uma mudança radical, seja ela física ou psicológica. Mas você já parou para pensar em uma transformação química? Será isso possível?

Sim, é possível; e o responsável pela descoberta dessa transformação foi Antoine Laurent de Lavoisier, químico francês, nascido em 1743 e morto em 1794; um gênio injustiçado como tantos outros de sua época.

Nos seus 51 anos de vida, Lavoisier transformou a ciência pela qual se apaixonou. Sua vida foi intensa, não só na área cientifica. Diferentemente de outros cientistas, ele não se trancou num laboratório, nem era avesso ao convívio social. Muito pelo contrário. Único herdeiro de uma família aristocrata, utilizou seus próprios recursos para custear seus estudos, completou os cursos de matemática e astronomia, química e física experimental, formou-se, também em advocacia e concluiu os cursos de geologia e botânica. Em 1768, ingressou na Academia de Ciência. Em 1779, tornou-se coletor de impostos e foi nomeado inspetor-geral das pólvoras e salitres, ao mesmo tempo em que se dedicava a algumas de suas experiências químicas mais notáveis. Membro da comissão de agricultura, de 1785 a 1787, aplicou-se ao estudo dos problemas da economia e da química agrícola, e em 1789 era eleito deputado suplente aos Estados Gerais, integrando, no ano seguinte, a comissão para o estabelecimento do novo sistema de pesos e medidas, foi também eleito Secretário do Tesouro (1791). Em agosto de 1793, o Governo Revolucionário Francês fechou a Academia de Ciência e, em novembro, decretava a prisão dos coletores de impostos, que, incluindo Lavoisier, foram condenados e guilhotinados.

Mas deixemos de lado as injustiças políticas e nos concentremos na Química, ciência que Lavoisier amava tanto e a qual dedicou horas de estudo meticuloso, qualitativo e quantitativo. Fundador da química moderna, Lavoisier impõe-se como um dos maiores cientistas do séc. XVIII. Foi um dos primeiros a conceber e elaborar um método objetivo de representação do universo material. Sistematizando o uso da balança, passa a definir a matéria por sua propriedade de ter um peso determinado e enuncia as leis de conservação da massa. Em suas pesquisas mais importantes Lavoisier dedica-se a um conhecimento científico da natureza daqueles elementos que, desde a antigüidade, eram considerados insuscetíveis de análise científica: a terra, a água, o ar e o fogo.

Começa por esclarecer o fenômeno da oxidação dos metais em contato com o ar. Aquecendo com intensidade (calcinação) o estanho num recipiente fechado e em presença de ar, verifica a inalterabilidade da massa total. Retoma essa experiência em 1777 com o mercúrio e descobre, a partir daí, a composição do ar atmosférico. Assim, Lavoisier mostra que a água se obtém através da combustão (queima) do hidrogênio e, quatro anos depois, submetendo o diamante à ação do fogo, determina a composição do gás carbônico.

Lavoisier também trabalha como pioneiro na medição do calor (início da calorimetria). Em 1780, em um relatório sobre o calor, registra diferentes valores, quer de calores específicos, quer daqueles resultantes de reações químicas.

Outra das grandes contribuições de Lavoisier é a de criar, juntamente com Berthollet e outros, uma nomenclatura racional da química, tomando como ponto de partida o conceito de ‘elemento químico’, que não se poderia estabelecer se a experiência pela qual havia demonstrado ser o oxigênio um dos componentes necessários dos ácidos e das bases. Em relatório de abril de 1787, expunha os fundamentos da nova nomenclatura e, em seu Tratado Elementar de Química (1789), já a utilizava sistematicamente.

Também um dos pioneiros da bioquímica, Lavoisier associa o calor animal ao produzido pelas combustões orgânicas dependentes do carbono e do hidrogênio, encontrando na combinação do oxigênio respirado com o gás carbônico proveniente do sangue o mecanismo de conservação do calor nos seres animais.

Mas, sem sombra de dúvidas, os experimentos sobre conservação da matéria (mais tarde conhecido como Princípio de Lavoisier), foram os responsáveis por colocar este cientista no hall dos gênios. No Tratado Elementar de Química, seu autor explicita com clareza esse conceito: “ podemos estabelecer como regra geral que, em todas as operações naturais ou experimentais, nada se cria; uma quantidade igual de matéria existe antes e depois do experimento; a qualidade e a quantidade dos elementos permanecem as mesmas”. Este enunciado, com o tempo, transformou-se nas frases populares, tão repetidas, mas que não são de sua autoria, como: “numa reação química, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” ou “numa reação química, a massa dos reagentes é igual a massa dos produtos”.

Lavoisier foi uma pessoa com idéias muito avançadas para sua época, adotando medidas de caráter reformista, sem atentar para os assuntos políticos e sociais. Arrebanhou vários desafetos ao longo de sua vida que, na época pós-revolução, conhecida como Terror, acabou levando o genial cientista à morte.

Joseph Louis de Lagrange tinha razão quando afirmou, no dia seguinte após a execução de Lavoisier: “Bastou um instante para cortar sua cabeça, mas cem anos talvez não sejam suficientes para produzir outra igual”.

Esta frase deu início a um processo lento e contínuo de reabilitação da imagem e reconhecimento do cientista injustiçado. Hoje, Lavoisier, tem um lugar de honra na história e, sendo reconhecido, como aquele que teve a coragem de experimentar, testar, pesar, concluir, divulgar e transformar a Química na ciência que tanto necessitamos no nosso dia-a-dia.

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